Não posso continuar a fazer isto. A partir do momento em que descobriste este pequeno canto, tudo começou a ficar diferente: pensava duas vezes antes de colocar algo aqui, não fosses tu levar a mal ou perceber as coisas de outra forma; e limitei-me relativamente ao que escrevi porque sabia que eventualmente irias ler. Criticaste-me (não directamente) por ter este sitio onde, alegadamente, espalho a minha vida a todo o mundo. Esqueces-te que és o único que consegue associar uma identidade ao que aqui está escrito, porque de facto, és só tu que me conheces e que tens o conhecimento da existência deste espaço. E criticaste sem sequer pensares que, se antes isto era apenas um sitio onde eu podia expressar toda a minha lamechice, de há uns tempos para cá tem vindo a ser muito mais que isso.
De há uns tempos para cá tem sido aqui que expresso as saudades que tenho do meu avô, porque não me permito fazer isso à frente da minha familia e porque, quem na altura se preocupou em saber se eu estava bem, agora simplesmente acha que já passou tempo suficiente e que eu ja devia ter esquecido o assunto (ou se não acha, dá a achar). De há uns tempos para cá, tem sido aqui que eu expresso algumas inseguranças, algumas parvoices, seja através de imagens com que me identifico, seja através de quotes, seja mesmo através de textos. Isto porque, como tu sabes, algumas das pessoas com quem mais me dava, afastaram-se completamente da minha vida. E isso deixa-me…comigo…com a minha familia…e contigo.
E por isso, quando tu dás sinais de que estás prestes a abandonar-me, quando dás sinais que vais desaparecer, quando dás sinais de que nao me queres mais, eu passo-me, eu fico como um cão abandonado, eu corro (atrofio/grito/berro) até nao ter mais forças e quando nao tenho mais forças aninho-me no chão do meu quarto e choro, choro até ficar sem lágrimas, até quase nao conseguir respirar mais. Porque tu te tornaste em tudo, embora nunca tenhas pedido isso, tu tens sido o melhor da minha vida Cris, e nós temos sido a única coisa em que eu sinto que nao falhei, que investi e que dei de mim e que valeu muito a pena - porque ver o teu sorriso é o que me faz sorrir, porque saber que estás bem me deixa bem, porque estar com a tua família me faz sentir que sou parte dela, porque quando estamos juntos eu sinto a maior segurança do mundo, sinto que pertenço, que te pertenço, que nos pertenço. E eu sei que roço o neuroticismo nessas vezes que te sinto a desaparecer, sei que te irrito, sei que nunca pediste para ser tão importante para mim, sei que não tenho o direito de fazer estas cenas, de abalar o que temos porque me sinto insegura ou stressada ou em baixo. E peço-te, pela ultima vez, que me desculpes por isso.
Porque, na verdade, eu detesto isto, eu detesto fazer-te mal, eu detesto esta parvoice de estar sempre down, de estar sempre a implicar e a complicar e a queixar-me e a apontar-te isto ou aquilo. Tu és certamente a pessoa que mais amo e eu quero ser a pessoa que mais te faz feliz. Por isso, pela ultima vez, por favor, desculpa-me e deixa-me ser quem eu sei que consigo ser, quem eu sou - porque o meu “eu” ultimamente tem sido um “eu massacrado” por mim mesma, um “eu parvo” e um “eu egoista”, que se esqueceu que influencia tudo o que está à sua volta com as suas anormalidades. Independentemente de qual seja a tua decisao, quero que saibas que te amo imenso.
Desta feita, este será efectivamente o meu ultimo post aqui. Percebo agora que foi uma boa muleta durante algum tempo, mas (tu abriste-me os olhos e) a verdade é que eu preciso de conseguir lidar com as coisas por mim, na vida real, não simplesmente escrevendo um texto e compartilhando. Eu preciso de conseguir expressar-me e de conseguir lidar com as adversidades e com as vicissitudes da vida, na vida, não aqui.
A minha vida é um barco abandonado
Infiel, no ermo porto, ao seu destino.
Por que não ergue ferro e segue o atino
De navegar, casado com o seu fado?
Ah! falta quem o lance ao mar, e alado
Torne seu vulto em velas; peregrino
Frescor de afastamento, no divino
Amplexo da manhã, puro e salgado.
Morto corpo da ação sem vontade
Que o viva, vulto estéril de viver,
Boiando à tona inútil da saudade.
Os limos esverdeiam tua quilha,
O vento embala-te sem te mover,
E é para além do mar a ansiada Ilha.
Fernando Pessoa, in Cancioneiro
Lately I feel like I’ve been becoming someone else.
Someone I don’t recognise, and someone I don’t even like.
I need you here to help me remember what it’s like to truly be alive.
Everyday I try my best to not get completely overwhelmed with you being gone.
Please tell me how to be strong.
— music by 36 Crazyfists (miss you grandpa…)
(via International Language - Smile - Adjustable Sterling Ring on Etsy)
Love it, love it, love it, love it, love it, want it!
“Busque Amor novas artes, novo engenho
Pera matar-me, e novas esquivanças,
Que não pode tirar-me as esperanças,
Que mal me tirará o que eu não tenho.
Olhai de que esperanças me mantenho!
Vede que perigosas seguranças!
Que não temo contrastes nem mudanças,
Andando em bravo mar, perdido o lenho.
Mas, enquanto não pode haver desgosto
Onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal, que mata e não se vê,
Que dias há que na alma me tem posto
Um não sei quê, que nasce não sei onde,
Vem não sei como e dói não sei porquê.”
Luís de Camões



